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sexta-feira, 21 de março de 2014

Fascínio pela história

Gosto muito de ler sobre história, sobretudo história do Brasil. Sempre gostei e sempre tive atração pelos livros escritos por Hélio Silva, que li nas décadas de 70 e 80, e, depois, os de Eduardo Bueno, ainda no final do século passado. Já no começo deste século, me deliciei com os 4 volumes de Élio Gaspari sobre a ditadura (envergonhada, escancarada, derrotada e encurralada – nesta ordem). Nenhum deles foi historiador de formação, mas todos me seduziram com um texto muito mais palatável que os encontrados nos papéis acadêmicos.

Ler este tipo de autor, agora que tenho uma historiadora em casa, ficou mais complicado. Para Eduardo Bueno a Cecília torce o nariz, para os outros fica neutra, acredito, muito mais para não me chatear. Foi por isso que tive alguma ansiedade ao dizer a ela que havia comprado a trilogia dos livros de Laurentino Gomes. Lançados, logo viraram best sellers e, isso, em geral, me faz torcer, também, meu próprio nariz. Percebi, entretanto, que o nariz da Cecília manteve-se reto quando soube da compra, o que me deixou aliviado e mais motivado para lê-los.

O primeiro, 1808, devorei num fôlego só suas mais de 400 páginas. Inicia o relato com a preparação da fuga da corte de D. João VI de Portugal e termina com seu retorno, 13 anos depois. Ao longo deste período, provocou-se uma mudança no nosso país que, certamente, não seria o mesmo, caso Napoleão Bonaparte não tivesse feito espiantar o monarca lusitano pras bandas de cá.

Uma das virtudes do livro, talvez a principal, é não se ater aos estereótipos com os quais D. João e Carlota Joaquina são tratados, usualmente. Embora a narrativa confirme o caráter um tanto pusilânime do príncipe regente, mostra também, algumas qualidades como estrategista e habilidades de negociador. Prova disso foi a própria declaração de Napoleão, no final da vida, de que a única pessoa que conseguiu enganá-lo teria sido, justamente, D. João.

O mais delicioso, no texto, por sua vez, é a oportunidade de entender como foi forjada a nossa sociedade, misto de uma corte que não guardava nenhuma semelhança às cortes européias, sem fausto nem cultura, com um comportamento de desprezo em relação a uma população plebéia com forte predomínio de homens escravizados. Um início assim torna muito mais clara a compreensão da característica injusta e preconceituosa que, até hoje, parte da nossa sociedade ostenta.

Ao final da leitura do livro, a vontade que dá é, justamente, de continuar a trilogia. Engatar, de imediato, uma nova marcha e atravessar a independência (1822) para chegar, finalmente, à proclamação da república (1889). Não vai ser já, mas deve acontecer logo. É que a lista de prioridades é longa.

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